A ética, a punição e a suspeição
O jornal Folha de São Paulo (10/12/2006) cobra a ética do PT. Que punição para envolvidos em “escândalos” e também para o caso do petista que participou da invasão da Câmara Federal, especificamente do militante Bruno Maranhão.
A imprensa livre cobra aquilo que não vende, mas no liberalismo isso pode, como pode também nesse liberalismo renovado de cada dia, associar cada vez mais a ética a mecanismos disciplinares.
Vigiar e punir, vigiar e punir. A imprensa como guardiã da moralidade pública a eleger seus privilegiados vilões.
Acho isso tudo um desvirtuamento daquilo que poderia ser. Uma sacanagem de mão única. A ausência de virtude não necessariamente precisa ser combatida com a expiação pública. Isso é ineficiente, isso estimula o rancor e a perseguição, através de estratégias de dominação pela publicização daquilo que no outro possa parecer suspeito.
Quem não é suspeito nesse mundo?
Pois bem, penso que seria mais inteligente e democrático estabelecer a ética dos vivos-suspeitos a falar das suspeitas próprias e alheias, que a ética do encobertamento que requer punição para viabilizar a moralidade da voz amplificada pelos meios de comunicação de massa.
Apesar de não ter filiação partidária ou por esse motivo, sou suspeito e por isso preciso falar. Preciso expressar aquilo que me incomoda, como me incomoda, para ultrapassar esse limite moral e alcançar, quem sabe, a dimensão de novas suspeições.
Triste que quem não se acha suspeito!
Escrito por Kleber às 08h03
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