Olha o tempo


Momentos

 

Momentos, monumentos que cismam em parar.

Dizem para si, para os interessados e passantes,

não tenho o que mudar.

São quase-tempos

São a raiz-quadrada do redondo.

Momentos são outra coisa; sinto.

Vejamos; dois pontos, dois  momentos.

Pra que integra-los sempre na mesma inflexão.

Momentos sãos, melhor já foram.

Vivem dos seus parentes vindouros.



Escrito por Kleber às 14h57
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Depois de domingo

 

Quem por acaso, passe por aqui além de mim, saiba que depois de domingo a vida permanecerá muito parecida com a de antes. Isso, independente de quem leve a eleição para presidente. A vida presente, essa vida que se ocupa das horas de cada dia, é vida corrida, vida que só se enxerga ao fim das estações ou em dias de muita chuva. Até os feriadões já foram incorporados a esse tempo.

Creio que o Lula leve mais votos e continue a morar no Planalto e vou até comemorar esse resultado. Mas não vai ser ele a mudar instantaneamente a vida. Por isso, depois de domingo vou querer outras comemorações também. Vou querer comemorar coisas que não precisem de votos indiferentes. Aniversários e datas comerciais hoje são como pequenas eleições. Assim, entram na agenda oficial. Quero extras. Depois de domingo quero um tempo extraordinário para experimentar. Um tempo que não seja reconhecido como época, mas como instante.

Feliz daqueles que percebem os instantes. Coisa pouco comum. Tempo revolucionário o dos instantes. Quero os instantes que não se medem para a vida que vivo, depois de domingo.

Escrito por Kleber às 20h56
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Parece que os net-tucanos entregaram os pontos. Isso não quer dizer que a eleição esteja decidida. O que quer dizer é que os dedos das asas dos psdbistas já não destilam seus humores e pretensões pela Rede Mundial de Computadores.

Sobre isso dois comentários agora: o primeiro é da obviedade da circunstância do pleito. Geraldo caiu muito e Lula subiu mais que eu, por exemplo, imaginava. Teses serão produzidas sobre isso. No fim da eleição, contam os votos válidos, o que poderá ser.

O segundo motivo é que o discurso de marketing, quando tomado para um exercício pessoal, digo individual, cansa quando não reverbera. Perde-se num tempo que almejava, mas não teve condições de experimentar.

É como ficar falando sozinho no meio da rua, sem que se forme um aglomerado ao redor. A arte do camelô que abre a mala se faz a festa, não é matéria na Educação nacional. Pena para os tucanos, penas que caem!

Escrito por Kleber às 19h11
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Entre ataques e contra-ataques

 

A bola não pára. É frenético o jogo quando se aproxima seu final. O placar diz uma coisa. Os locutores insistem em apontar outras possibilidades para a partida. Dela já se sabe; a comemoração será amarga.

 

Domingo a uma semana no pleito do 2o turno. Os institutos de pesquisa indicam um vencedor. Quem saberá? Vive-se no pontocompontobr a experiência da suspeição. Tempos inquisitoriais. Estranho tempo que se faz ou se busca fazer com o propósito, quase hegemônico, de afirmar que essa república jamais será uma coisa pública, salvo engano, nos quatro dias que compõem a monarquia de Momo. Monarquia não é república.

Porque faz isso, aquilo que é elite? Fácil; porque são tristes, não atingiram sequer a experiência da mediocridade. A elite financeira paga pela tristeza alheia e a sua. Paga caro, pois tem a convicção que pode reaver seu dinheiro em novos empreendimentos mercadológicos. Assim, gasta tanto agora, em espécie e em vida, para retirar daquilo que constitui uma maioria; a possibilidade de sentir o sabor da vitória. É isso agora que está em questão. Instalem-se culpas para que não tenham força para comemorar seu pleito, seu voto.

Como se dissessem; tudo bem, Lula vai levar de novo, mas a alma de seus eleitores está presa a uma suspeita moral.  Será que Lula sabia? Será quem vai continuar a não querer saber que a corrupção funciona ao lado do seu gabinete?

Cínicas questões. Formulações de uma burguesia que “fede”. Que abate a alma alheia sem a consideração mínima de que ali há algo de humano, que poderia aproximar as diferenças, de modo como agora, esses canalhas as afastam.

Canalhas, sim. Por muitos motivos, mas destaco um: não conseguem sentir o prazer das suas vidas, sem a possibilidade de sentir o gosto do suor do povo ao seu serviço.

A canalha brasileira se defende entre ataques e contra-ataques!

Escrito por Kleber às 08h47
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