Olha o tempo


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Para tirar do lugar aquilo que fica

Para fazer do que é ser um desmanchamento

Só um jeito: divertimento.



Escrito por Kleber às 09h48
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Quase 2007 e o mundo busca imagens de um enforcamento. Saddam, julgado pela morte de mais de uma centena de pessoas tomba pelo pescoço. Dirão que é simbólica essa execução em sentidos diversos. Ressalta-se a dimensão do ditador. A morte precisa ser justificada em tempo. Sendo seus feitos de ditador incômodo que lhe renderam a forca, emerge um estranho caça-palavras para quem vive. Onde se pode ditar e como se deve ler o ditado.

Lembro vagamente dos dias em que pratica o exercício do ditado em sala de aula. Aprendia a escrever. Lá a pena era imediata, mas havia uma correção explícita; o que servia, servia. O que estava errado, estava errado. O mundo não era assim, mas os ditos e a leituras tinham mais sabor de descoberta que de medo.



Escrito por Kleber às 10h12
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A ética, a punição e a suspeição

 

O jornal Folha de São Paulo (10/12/2006) cobra a ética do PT. Que punição para envolvidos em “escândalos” e também para o caso do petista que participou da invasão da Câmara Federal, especificamente do militante Bruno Maranhão.

A imprensa livre cobra aquilo que não vende, mas no liberalismo isso pode, como pode também nesse liberalismo renovado de cada dia, associar cada vez mais a ética a mecanismos disciplinares.

Vigiar e punir, vigiar e punir. A imprensa como guardiã da moralidade pública a eleger seus privilegiados vilões.

Acho isso tudo um desvirtuamento daquilo que poderia ser. Uma sacanagem de mão única. A ausência de virtude não necessariamente precisa ser combatida com a expiação pública. Isso é ineficiente, isso estimula o rancor e a perseguição, através de estratégias de dominação pela publicização daquilo que no outro possa parecer suspeito.

Quem não é suspeito nesse mundo?

Pois bem, penso que seria mais inteligente e democrático estabelecer a ética dos vivos-suspeitos a falar das suspeitas próprias e alheias, que a ética do encobertamento que requer punição para viabilizar a moralidade da voz amplificada pelos meios de comunicação de massa.

Apesar de não ter filiação partidária ou por esse motivo, sou suspeito e por isso preciso falar. Preciso expressar aquilo que me incomoda, como me incomoda, para ultrapassar esse limite moral e alcançar, quem sabe, a dimensão de novas suspeições.

Triste que quem não se acha suspeito!



Escrito por Kleber às 08h03
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A Globo e os pobres

A Globo retirou da edição 2007 do seu Big Brother Brasil os dois candidatos que eram escolhidos por sorteio. Alega, segundo informação que circula pela mídia, que esses candidatos ganhavam de pronto a simpatia popular, por serem pobres.

De pronto, os pobres do Big Brother Global agora serão produzidos por um diretor de elenco e não pela loteria dos cupons comprados como bilhetes que carregavam a possibilidade de premiação.

Um triste programa que desumaniza ainda mais o enredo que lhe sustenta. Era interessante vê os malhados e belos corpos sucumbirem a um clamor desvalido. Era a graça da coisa. A vitória de um modo de resistir a própria Globo, nela. Pena que ela percebeu. Agora dará à pobreza a feição que lhe couber. Tô noutra!



Escrito por Kleber às 10h25
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Quase o que não se estranha

 

Entre as coisas que não li ainda

Há algo que me espanta

Aquilo que há de vir

Não se esconde sob manta

Habita a proximidade

As coisas que hei de ser

Filho de algo novo

Pai de outro entardecer

Os mitos muito me enjoam

Quando deles me aproximo

Sendo eles desumanos

Como por eles algo sinto?



Escrito por Kleber às 09h08
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Andei afastado do blog. Desplugado. Mudanças de cidade, de bairro, de casa nos deixam reféns do setor de serviços. É triste a coisa. Uma promessa vã, muita raiva e ansiedade e no fim, quando alguma ordem se estabelece a gente esquece o setor de serviços e seus servidores terceirizados. Telefone, energia, transportadoras, etc.

Esse esquecimento é fruto de um auto-serviço de limpeza de si, que operamos para que o liberalismo caminhe.

Digo isso, provocado pelo Junior, em três comentários que deixou em post passado. Indagava sobre muitas coisas, que não sei se tenho resposta. Assim, ficarei flanando entre uma ou duas, que margeiam o que se toma por liberalismo e conservadorismo num texto que escrevi sobre as eleições nos EUA.

Reli o texto e reafirmo o dito. A América está mais para o mundo que para os americanos. Eles atiram nos outros indistintamente, melhor, lhes bastam algum interesse. É o estado mais assassino da contemporaneidade. Matam por bala, matam por asfixia. De algum modo, grandes segmentos da sociedade americana, incorporam essa política, conservam esse estilo de ser, saia ou entre republicano ou democrata. O marketing garante uma ilusão de diferença, mínima aos meus olhos. Diria insignificante. O lance é que conservação requer a instalação de um mecanismo que faça parecer aos vivos, alguma mudança; seja de nomes, de gênero, de sigla. Mas essa mudança não implica alteração nos fundamentos. É como naquele seriado Dallas ou na trilogia do Poderoso Chefão. Muda e permanece. Eis a alma liberal que nos consome. Acho que é por aí...



Escrito por Kleber às 19h34
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Despesas

 

Corre a vida na linha das despesas.

O que devo

aquilo que consigo dever

o dever que desconheço.

Quase mão única

o dever reluz no seu mísero benefício.

o amor é a amizade que dura

e viver com outros

soa como os ossos do ofício.

Escrito por Kleber às 11h27
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Gays, outra guerra em Israel

 

Polêmica e cerceamento do direito de ser gay em público em Israel. Os homossexuais celebram num local fechado. Os ortodoxos os preferem no armário. Os ortodoxos dos erros técnicos que matam palestinos, ainda crianças. Entre a defesa da Torá e o combate a quem quer a tora, a ortodoxia judia atira sem dó em quem mal vê. Mundo, que mundo?

Escrito por Kleber às 18h27
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Qual esperança vence o medo?

 

Eleições nos EUA e Bush Jr assiste sua maioria ruir na Câmara dos Deputados de lá. O Iraque é o dossiê vivo e assassino que impõe a derrota ao Partido Republicano. Pelo menos é o que dizem esses analistas que botam a cara na telinha para destilar as verdades que produzem.

Não sei entretanto o que diferencia democratas de republicanos nos EUA. Acho isso meio carochinha. É aceitar que a dita maior democracia do mundo, fala pouco e fica num processo de ir e vir entre grupos liberais mais ou menos conservadores.

Pobre a fala dos americanos e as coisas no Iraque não tendem a melhorar com essa vitória. Já na América Latina, o movimento é outro. Sopra entre populações a afirmação daquilo que ficou engasgado na história recente. Homens de esquerda, antes marxistas-leninistas-e-outros-istas-mais assumem os países que um dia foram roubados de seu povo, a peso de dólar. Agora é a Nicarágua, capital Manágua, que vê um líder revolucionário chegar ao governo pela via-voto. Esperanças distintas que não se espelham na América.

A invenção da democracia contemporânea está mais próxima dos latino-americanos que dos boys-americanos. Espero que eles não venham atirar por aqui.   

Escrito por Kleber às 08h55
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Sem tempo?

 

Esse blog anda meio as moscas. Faz parecer que estou sem tempo. Não é caso. O tempo parece sobrar nos últimos dias, aos quais tenho dedicado a algumas preocupações. São elas que ocupam meu tempo, se é possível lidar com o tempo como um pertencimento.

Daí, ocupo alguns pedaços de dias em fazer passar as horas. Não são muitas. Poucas horas dedicadas a alguns enfados.

Não relaciono essa estranha moleza a uma deprê pós-eleitoral, apesar de ter dedicado aqui muitas linhas a esse processo. Quem vinha fazendo isso, jornalistas e blogueiros hipervisitados, parece estar acometido do esvaziamento que o resultado produziu. Meu problema é outro. Quis aqui alertar para sentidos que o tempo toma para si ou que lhes são dados. Parece-me uma tarefa difícil, principalmente se elaborada em tom acadêmico. Triste idéia. Assim vou atrás do tempo em outras modalidades de discurso. Um registro, uma inflexão e reticências.

 

Escrito por Kleber às 18h17
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 [Junior]
Oi Kleber. Ajude-me a entender o poema. Você diz que os momentos são quase-tempos. Isso parece dizer que os momentos existem apenas em um contexto temporal, não localizado no presente, mas dependentes das expectativas futuras ('Vivem dos seus parentes vindouros'). Assim dependeriam de algo subjetivo para existirem, mas são dependentes do tempo, portanto mutáveis (no sentido da dinâmica). Ao mesmo tempo, você diz que os momentos dizem de cada um de nós que "não temos o que mudar" (por falar nisso, muito interessante a construção gramatical). Fazendo uma comparação entre eles, que mudam, e nós, que devemos permanecer imutáveis. Mas aí você diz que eles (os momentos) "são a raiz-quadrada do redondo" que é uma constante (não muda com o tempo). Conclui-se, então, que eles próprios não mudam. Você está dizendo que todos os momentos são iguais? Por isso não se pode integrá-los (são nulos)? Sua intenção é apontar essa contradição, ou estou viajando muito? De qualquer forma, muito legal...

03/11/2006 14:39

Escrito por Kleber às 19h13
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Lula e a força de Marco Túlio

Recebo de um amigo um e-mail em êxtase. Eram palavras a dizer do bom da festa da comemoração da vitória do Lula sobre o Alckmim. Esse amigo de longas datas e boas histórias, disse da sua felicidade e de pronto, ainda sob efeito de algumas cervejas, arriscou na escrita sua alegria, pois queria dizer e disse. Não importava o léxico para ele naquele instante, pois o sentido já estava posto. Alegria, alegria e o motivo dessa alegria era a força. Força que não se deve nomear antes, para que ela nos surpreenda sempre e aqui, não nomeio, para que a mesma não se prenda a mera interpretação. Em mim, ela sugeria a alegria que vence os dias e os anos. Alegria convicta pela história que aparece. História de gente que firmou sua escolha e foi com ela até o fim do pleito. História de gente que tem força e já não se entrega ao sabor do sensacionalismo que não enche barriga, não ensina a ler e escrever e principalmente cega o pensar. Foi o que me veio, mas desconfio que em Marco Túlio fora muito mais intensa a sensação.

A força de Marco Túlio é a força da imaginação que vem de longe e sempre que aparece, brilha como um recém-nascido. Pura expressão. Um abraço, amigo!

Escrito por Kleber às 14h15
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Momentos

 

Momentos, monumentos que cismam em parar.

Dizem para si, para os interessados e passantes,

não tenho o que mudar.

São quase-tempos

São a raiz-quadrada do redondo.

Momentos são outra coisa; sinto.

Vejamos; dois pontos, dois  momentos.

Pra que integra-los sempre na mesma inflexão.

Momentos sãos, melhor já foram.

Vivem dos seus parentes vindouros.



Escrito por Kleber às 14h57
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Depois de domingo

 

Quem por acaso, passe por aqui além de mim, saiba que depois de domingo a vida permanecerá muito parecida com a de antes. Isso, independente de quem leve a eleição para presidente. A vida presente, essa vida que se ocupa das horas de cada dia, é vida corrida, vida que só se enxerga ao fim das estações ou em dias de muita chuva. Até os feriadões já foram incorporados a esse tempo.

Creio que o Lula leve mais votos e continue a morar no Planalto e vou até comemorar esse resultado. Mas não vai ser ele a mudar instantaneamente a vida. Por isso, depois de domingo vou querer outras comemorações também. Vou querer comemorar coisas que não precisem de votos indiferentes. Aniversários e datas comerciais hoje são como pequenas eleições. Assim, entram na agenda oficial. Quero extras. Depois de domingo quero um tempo extraordinário para experimentar. Um tempo que não seja reconhecido como época, mas como instante.

Feliz daqueles que percebem os instantes. Coisa pouco comum. Tempo revolucionário o dos instantes. Quero os instantes que não se medem para a vida que vivo, depois de domingo.

Escrito por Kleber às 20h56
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Parece que os net-tucanos entregaram os pontos. Isso não quer dizer que a eleição esteja decidida. O que quer dizer é que os dedos das asas dos psdbistas já não destilam seus humores e pretensões pela Rede Mundial de Computadores.

Sobre isso dois comentários agora: o primeiro é da obviedade da circunstância do pleito. Geraldo caiu muito e Lula subiu mais que eu, por exemplo, imaginava. Teses serão produzidas sobre isso. No fim da eleição, contam os votos válidos, o que poderá ser.

O segundo motivo é que o discurso de marketing, quando tomado para um exercício pessoal, digo individual, cansa quando não reverbera. Perde-se num tempo que almejava, mas não teve condições de experimentar.

É como ficar falando sozinho no meio da rua, sem que se forme um aglomerado ao redor. A arte do camelô que abre a mala se faz a festa, não é matéria na Educação nacional. Pena para os tucanos, penas que caem!

Escrito por Kleber às 19h11
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